Cavalos do mar : 8 dicas para preservar

Texto: Gualter Pedrini & Suzana Ramineli*

Fotos: Gualter Pedrini**

      É fácil listar características incomuns sobre o cavalo-marinho, mas o aspecto mais conhecido e incrível desses animais está na gravidez masculina. O cuidado paterno é encontrado em toda família Syngnathidae, o grupo de peixes de que o cavalo-marinho faz parte, junto com seus “primos”, os dragões-do-mar e os peixes-cachimbo, estes últimos também presentes na costa brasileira. Com o objetivo de pesquisar e difundir informações para a conservação dos cavalos-marinhos no Brasil, foi criado o Projeto Cavalos do Mar. Dentre as várias pesquisas científicas e campanhas educativas, um dos focos do Projeto é orientar os praticantes de mergulho a terem condutas mais adequadas em relação a essa fauna tão sensível.

 

      Se você for um dos sortudos a encontrar um cavalo-marinho ou um peixe-cachimbo, lembre-se de que é importante seguir as regras básicas do bom mergulhador e algumas orientações para não prejudicar ainda mais esses fantásticos seres.

 

1 – Evitar o assédio. O cavalo marinho é uma celebridade para os mergulhadores, mas é um peixe muito frágil. Tanto o Dive Master quanto o Instrutor devem controlar a concentração de mergulhadores envolta do animal. O simples movimentar do braço pode criar uma corrente de água capaz de deslocá-lo do local que ele escolheu para se camuflar. Isso o deixa vulnerável a predadores.

 

2 – Não deixe o cavalo-marinho estressado. Caso se sinta perturbado, ele irá abaixar a cabeça junto ao tronco e “dar de costas” para o mergulhador. Nesse momento, devemos nos afastar do animal e deixá-lo relaxar novamente. Esses animais não possuem dentes nem estômago, de modo que o alimento passa tão rápido pelo seu trato digestivo que eles precisam comer durante grande parte do dia. Se sentirem que estão ameaçados por um mergulhador excessivamente curioso, irão interromper a alimentação, o que pode gerar problemas.

 

3 – Não Toque no Cavalo Marinho nem no lugar onde ele está fixado - O simples tocar não causa sua morte instantânea, mas irá remover uma proteção natural que ele tem no corpo, o muco, prejudicando a saúde do peixe. Além disso, cavalos-marinhos e peixes-cachimbo são animais que frequentam um espaço limitado do recife, onde se alimentam, namoram e se protegem de predadores. Uma vez acuados, ou pelo toque ou pela alteração do seu habitat, eles irão mudar de local e ficarão mais expostos vulneráveis.

 

 

Algumas regras básicas de como agir para nao piora a situação dos cavalos marinhos e seus parentes

Texto: Gualter Pedrini e Suzana Ramineli*

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Formas e cores: Cavalos-Marinhos e peixes-cachimbos são animais extremamente delicados. 

Pode não parecer, mas esse cavalo-marinho possuía menos de 6 cm quando foi fotografado

*Suzana Ramineli é Coordenadora do Projeto Cavalos do Mar. Para saber mais informações sobre cavalos-marinhos e peixes-cachimbo e acompanhar as atividades do Projeto:

envie e-mail para cavalosdomar@gmail.com

ou acesse:

www.cavalos-do-mar.blogspot.com

www.instagram.com/cavalos_do_mar

www.facebook.com/cavalosdomar

4 – Não persiga. Alguns estudos em laboratório demonstraram que o flash das câmeras subaquáticas não causa grandes efeitos nos cavalos-marinhos em vida livre, durante o dia, mas o assédio dos fotógrafos, sim. Mantenha certa distância, tenha mais paciência na hora de fotografar e menos manipulação do animal. Se, mesmo com todos esses cuidados, o cavalo-marinho sair de onde estava e nadar para outro local, é melhor não segui-lo, pois isso o deixará mais estressado.

 

5- Mantenha um bom controle da flutuabilidade e o equipamento bem afivelado junto ao corpo – Prefira nadar a certa distância das algas, esponjas e corais, a fim de não tocar esses substratos que cavalos-marinhos usam para se apoiar. Essa conduta evita também que o empuxo de água criado pelas nadadeiras levante suspensão ou desloque o animal de onde está fixado. Siga essas orientações mesmo se estiver em apneia ou nadando sobre um banco de areia, local muito apreciado pelos sensíveis peixes-cachimbo.

 

6- Não comprar cavalos-marinhos nem peixes-cachimbos (vivos ou mortos). – Por ano, milhões desses animais são capturados e comercializados para uso em aquários, enfeites ou para fins medicinais folclóricos (sem qualquer comprovação científica). No Brasil, a Lei de Crimes Ambientais (nº 9605/98) proíbe a coleta de animais silvestres.

 

7 – Fundeie sua embarcação em locais apropriados. Cavalos-marinhos e peixes-cachimbo costumam frequentar pequenas profundidades e seu habitat fica ameaçado com o fundeio de embarcações. Sempre que houver poitas disponíveis, amarre sua embarcação ao invés de jogar a âncora. Caso não existam, procure uma rocha lisa (sem corais, esponjas, ouriços etc.) e prenda a âncora ao invés de jogá-la. Fique atento também ao cabo do barco, pois ele pode quebrar os organismos ao se movimentar com as ondas e correntes marinhas. É mais trabalhoso, mas muito mais consciente.

 

8 – Não prestigie passeios turísticos que manipulem animais: A tentação é grande de visitar atividades turísticas que retiram os cavalos-marinhos do seu ambiente e os deixam expostos em potes de vidro. Por um lado, determinadas comunidades têm sua principal fonte de renda nesses passeios, que também permitem uma maior aproximação do turista com o peixe. Entretanto, essa manipulação, quando feita sem o devido preparo ou de modo não consciente, interfere na ecologia dos cavalos-marinhos: separa casais; interrompe a alimentação; muda bruscamente a temperatura da água; desfaz a camuflagem.

Mais Informações:

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A pesca excessiva e desordenada ainda é a principal ameaça à existência de 90% destes peixes.

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