Diversos pesquisadores possuem trabalhos publicados que apontam a grande captura do tubarão martelo ainda na fase juvenil (Sphyrna lewini) e da raia viola, o famoso cação viola (Rinobatos horkeii), nesse tipo de pesca com redes. Essas duas espécies encontram-se em perigo crítico de extinção, havendo relatos de capturas até de fêmeas prenhas, as quais iniciam o aborto assim que são retiradas das redes de pesca.

      Há muitas dificuldades para se levantar a bandeira da conservação desses animais. É bem mais fácil mobilizar pessoas para salvar pandas e tartarugas marinhas, por exemplo. Mas os ambientalistas são enfáticos ao afirmarem que os tubarões são predadores no topo da cadeia alimentar, consistindo em um elemento-chave para o controle de predadores menores, os quais se alimentam de pequenos peixes herbívoros, que, por sua vez, são responsáveis por consumirem as algas que invadem e sufocam os corais. Ou seja, sem tubarões, os corais morrem e o ecossistema entra em colapso.   

      Diante da falta de fiscalização e de controle mais rígido da pesca brasileira, medidas de educação ambiental destinadas aos pescadores artesanais acabam sendo imprescindíveis, bem como ações junto a mergulhadores e turistas. Iniciativas como a Dives for Sharks e o SOS Tubarões do IBIMM tentam amenizar o problema, principalmente diante da desinformação dos cidadãos, os quais encontram no cação um peixe com o preço mais acessível.

“Se você está comprando cação para sua ceia de Páscoa, você tem que saber que está oferecendo para sua família tubarão ou arraia e existe uma grande possibilidade de se tratar da carne de uma espécie ameaçada de extinção”, conclui o Professor Edris Queiroz.

Cação?!: Não, obrigado.

Cabeça do tubarão martelo sendo cortada

Cabeça do Tubarão Martelo

Cação sendo vendido em grandes mercados

Tubarão martelo pronto para ser vendido como Cação

Tubarão Martelo sendo eviscerado

A pesca excessiva e desordenada ainda é a principal ameaça à existência de 90% destes peixes.

Tubarão Martelo Juvenil
Tubarão Martelo
TUBARÃO MARTELO
TUBARÃO MARTELO
TUBARÃO MARTELO
TUBARÃO MARTELO
TUBARÃO MARTELO

Tubarão Martelo juvenil pescado no litoral paulista - A falta de fiscalização em todo o litoral brasileiro permite a pesca de espécies ameaçadas que, após a retirada da cabeça, são vendidas com o nome genérico de "cação" .  

      O Brasil abriga grande biodiversidade de peixes cartilaginosos, com 168 espécies. Destes, os tubarões e as raias – os quais integram a classe dos elasmobrânquios – representam a maior porcentagem dentre as espécies ameaçadas presentes na Lista Vermelha do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A confecção desta lista envolveu dezenas de especialistas brasileiros e alertou para o fato de que cerca de 40% dos elasmobrânquios encontram-se ameaçados, sendo que outros 34% são classificados como “dados insuficientes”, ou seja, não existe informação bastantes que caracterize risco ou não para estas espécies.

      A pesca excessiva e desordenada ainda é a principal ameaça à existência de 90% destes peixes. Mesmo o País sendo um dos maiores produtores mundiais de pescado, a última vez que o governo brasileiro publicou dados oficiais sobre a pesca foi em 2011, utilizando dados de 2008. Informações básicas – como volume de pescado desembarcado, espécies capturadas e números de barcos em operação – são praticamente inexistentes. Somada à fiscalização deficitária, essa falta de informação põe em risco diversos recursos de importância comercial e espécies ameaçadas de extinção, como lembra o Consultor Ambiental e cofundador do Projeto Divers for Sharks, José Truda Palazzo Jr.:

“Atualmente, não existe controle sobre o que é pescado e todas as espécies de tubarões e arraias são rotuladas e vendidas com o nome de ‘cação’, o que dificulta a identificação das espécies pescadas”.

      O professor Edris Queiroz, do Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente (IBIMM), relembra a precariedade das informações e da fiscalização, e que esses animais são decapitados e eviscerados antes mesmo do desembarque dos barcos pesqueiros nos portos. Esta prática impossibilita a identificação das espécies e ainda torna esse pescado mais atrativo para a população. O professor declara:

 

Quando tem algum acidente na litoral, eles chamam de tubarão, mas na hora de vender eles chamam de cação. Mas é tudo igual. Cação é tubarão e raia, independente do tamanho. Alguns possuem sua pesca e venda proibida, como é o caso do tubarão martelo, mas a fiscalização é inexistente e os pescadores cortam a cabeça do animal, o que dificulta muito a identificação da espécie na peixaria. Ele é vendido como ‘cação fresco’, mas é um tubarão que estava congelado por semanas em grandes barcos pesqueiros”.

      Queiroz ainda salienta como esses animais possuem baixa fecundidade e maturação sexual tardia, o que os torna bastante vulneráveis à pesca. Ademais, quando ameaçados de extinção, sua recuperação populacional ocorre muito lentamente.

      Além disso, a maioria dos elasmobrânquios formam grandes aglomerações em locais e épocas definidos, destinados à cópula, ao parto e ao crescimento dos animais juvenis. Estes berçários já foram mapeados em diversos pontos importantes na costa brasileira. Eles ocorrem geralmente em profundidades próximas aos 30 metros e em pontos muito cobiçados pela pesca com redes de arrasto de camarão e de outros peixes com valor comercial maior.

Tubarão Vendido em uma grande rede de supermercados - grande parte da população não conhece a origem deste pescado

Mais Informações:

A campanha Divers for Sharks nasceu no Brasil e tem voluntários em todos os continentes. Lutamos pela preservação dos tubarões, em função do sério risco de extinção que mais de 70% das suas espécies. Eles estão nos mares a mais de 400 milhões de anos, antes mesmo das árvores nascerem.

O Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente (IBIMM) é uma organização não governamental sem fins lucrativos, de interesse multidisciplinar, constituída por tempo indeterminado, de caráter organizacional, filantrópicos, educacionais e científicos,  declarada de utilidade pública, que desenvolve e apoia projetos, pesquisas, assistência social, educação ambiental e estudos de diversas áreas do conhecimento humano, animal e vegetal atuando em diferentes regiões do país.

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Se você for um dos sortudos a encontrar um cavalo-marinho ou um peixe-cachimbo, lembre-se de que é importante seguir as regras básicas do bom mergulhador e algumas orientações para não prejudicar ainda mais esses fantásticos seres.

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